MB Academy
Preparação para Entrevistas

Currículo e Networking

Estruture um currículo técnico competitivo, otimize seu LinkedIn e construa uma rede de contatos genuína na área de tecnologia.

Você não precisa de anos de experiência formal para ter um currículo forte. Você precisa saber o que priorizar e como comunicar o que já construiu. É isso que este capítulo cobre, junto com a sua presença online e a forma como você se conecta com outras pessoas da área.

Currículo técnico sem experiência formal

A maior armadilha de quem está começando é tentar disfarçar a falta de experiência formal, deixando o currículo vago ou genérico. O caminho certo é o oposto: seja extremamente específico sobre o que você já fez, porque projetos reais valem mais do que parece para uma vaga júnior.

O que priorizar, em ordem

  1. Projetos pessoais — incluindo o dashboard de finanças que você construiu neste curso. Um projeto completo, publicado, com código no GitHub, é a evidência mais forte que você tem de que sabe programar de verdade. Recrutadores e líderes técnicos sabem disso: preferem ver um projeto real a uma lista de tecnologias sem contexto.
  2. Cursos e formação — inclua a MB Academy e qualquer outro curso relevante, mas seja honesto sobre o que cada um representa. "Curso de TypeScript e React (200+ horas, com projeto prático publicado)" comunica muito mais do que só o nome do curso.
  3. Contribuições — participação em projetos open source (mesmo pequenas, como corrigir uma documentação ou reportar um bug bem detalhado), hackathons, desafios de código resolvidos e publicados.
  4. Experiência não técnica transferível — se você trabalhou em outra área antes (atendimento, vendas, educação, o que for), não esconda isso. Habilidades como comunicação, organização e lidar com prazos são reais e relevantes, mas deixe claro que é experiência transferível, não confunda com experiência técnica.

Nunca minta ou infle seu nível em uma tecnologia. Um currículo que diz "avançado em React" para alguém que fez um curso introdutório vai ser desmascarado na primeira pergunta técnica da entrevista — e isso destrói a confiança do entrevistador de forma muito mais severa do que simplesmente dizer "tenho conhecimento sólido dos fundamentos e venho aplicando em projetos reais".

Estrutura sugerida

Um currículo técnico júnior eficiente costuma ter, nesta ordem:

  • Cabeçalho: nome, uma frase curta de posicionamento (ex.: "Desenvolvedor Front-end júnior, focado em React e TypeScript"), e-mail, LinkedIn, GitHub, e um link para o projeto publicado, se couber.
  • Projetos: 1 a 3 projetos, cada um com nome, uma frase sobre o problema que ele resolve, as tecnologias usadas, e um link ativo (deploy + repositório).
  • Formação: cursos relevantes, com carga horária ou duração quando fizer sentido.
  • Habilidades técnicas: organizadas por categoria (Linguagens, Frameworks, Ferramentas), sem exagerar na quantidade — é melhor listar 8 tecnologias que você realmente domina do que 20 que você só ouviu falar.
  • Experiência profissional anterior, se houver, mesmo que de outra área.

Mantenha tudo em uma página, sempre que possível. Recrutadores de vagas júnior recebem dezenas de currículos por vaga — clareza e objetividade pesam mais do que volume de informação.

Otimizando seu perfil de LinkedIn

O LinkedIn costuma ser o primeiro lugar onde recrutadores encontram candidatos júnior, seja via busca ativa, seja por indicação. Um perfil bem construído trabalha por você mesmo quando você não está aplicando ativamente para nada.

Headline (a frase abaixo do seu nome)

Por padrão, o LinkedIn preenche essa frase com seu cargo atual ou último cargo. Substitua isso por algo que comunique sua direção de carreira, mesmo que você ainda não tenha um emprego na área:

"Desenvolvedor Front-end júnior | React & TypeScript | Construindo projetos reais em público"

Isso é muito mais útil do que deixar "Estudante" ou o nome de um emprego anterior sem relação com tecnologia.

Seção "Sobre" (resumo)

Escreva em primeira pessoa, de forma direta. Conte sua trajetória em poucas frases: de onde você veio, o que estudou, o que já construiu, e o que está buscando. Evite frases genéricas como "sou apaixonado por tecnologia" sem nenhuma evidência concreta por trás — prefira algo como:

"Migrei para tecnologia depois de [sua trajetória anterior, se houver]. Nos últimos meses, estudei TypeScript, lógica de programação e React, e construí um dashboard de finanças pessoais publicado em produção, consumindo uma API real. Estou buscando minha primeira oportunidade como desenvolvedor front-end júnior."

O LinkedIn permite fixar links, artigos ou mídias no topo do seu perfil. Use esse espaço para o link do seu projeto publicado e do seu repositório no GitHub. É um dos lugares com maior visibilidade do perfil inteiro — não deixe vazio.

Postar sobre o que você está aprendendo

Esse é o ponto que mais gente ignora, e que gera mais oportunidades de forma desproporcional ao esforço. Postar regularmente sobre o que você está estudando — um conceito que você entendeu melhor, um bug difícil que resolveu, uma decisão técnica que tomou no seu projeto — tem três efeitos:

  1. Constrói um histórico público de que você está ativamente aprendendo e evoluindo, o que qualquer recrutador ou líder técnico valoriza em um júnior.
  2. Aumenta sua visibilidade no algoritmo do LinkedIn, fazendo seu perfil aparecer para mais pessoas da área.
  3. Gera conversas orgânicas — comentários de outras pessoas da comunidade, que se tornam conexões reais.

Não precisa ser todo dia. Um post por semana, honesto e específico ("hoje entendi por que meu useEffect estava rodando duas vezes e o que isso me ensinou sobre o Strict Mode do React"), já é mais eficaz do que dez posts genéricos do tipo "tecnologia está evoluindo muito rápido!".

Descrevendo o projeto do dashboard de forma estratégica

A forma como você descreve o dashboard de finanças que construiu neste curso pode ser a diferença entre parecer "mais um projeto de curso" e parecer "evidência real de capacidade técnica". Compare:

Descrição fraca:

"Fiz um dashboard de finanças usando React."

Descrição forte:

"Desenvolvi um dashboard de finanças pessoais em React e TypeScript que consome uma API pública de câmbio em tempo real, com autenticação de usuário, tratamento de estados de erro e carregamento, e testes automatizados dos componentes principais. Publiquei o projeto no Vercel com CI/CD via GitHub, e a URL está em produção."

Note a diferença: a versão forte não é apenas mais longa — ela responde a três perguntas que qualquer entrevistador técnico vai querer saber:

  1. Que problema o projeto resolve? (visualizar e organizar finanças pessoais, consumindo dados reais)
  2. Quais decisões técnicas foram tomadas? (tratamento de erro e loading, testes, autenticação — não só "usei React")
  3. Está realmente publicado e funcionando? (URL real, não só código local)

Ao escrever sobre seus projetos — no currículo, no LinkedIn ou verbalmente em uma entrevista — sempre estruture assim: problema → decisões técnicas → resultado tangível. Isso vale tanto para o dashboard quanto para o Rastreador de Gastos que você construiu no Starter.

Guarde 2 ou 3 desafios técnicos específicos que você resolveu durante o projeto (um bug complicado, uma decisão de arquitetura, uma otimização). Eles são ouro puro em entrevistas comportamentais e técnicas — você vai usá-los no próximo capítulo.

Networking prático (sem parecer que está pedindo emprego)

Networking é, na prática, construir relacionamentos genuínos com pessoas da área — e é uma das formas mais eficazes de conseguir uma vaga júnior, porque indicação reduz o risco percebido pela empresa ao contratar alguém sem histórico formal.

Onde encontrar essas pessoas

  • Comunidades no Discord ou Slack voltadas a desenvolvedores brasileiros, muitas vezes organizadas por bootcamps, criadores de conteúdo ou grupos independentes de front-end.
  • Grupos no Telegram e WhatsApp focados em vagas e dúvidas técnicas — costumam ser mais informais, mas ativos.
  • Eventos e meetups locais, presenciais ou online, organizados por comunidades tech da sua cidade ou região.
  • Hackathons, mesmo os menores, são uma forma rápida de conhecer outros desenvolvedores e, ocasionalmente, recrutadores presentes no evento.

Como abordar pessoas sem parecer que está pedindo emprego

A forma mais eficaz — e mais confortável para todo mundo — é dar valor antes de pedir algo. Na prática, isso significa:

  • Comente com substância em posts de pessoas da área, em vez de só curtir. Um comentário que agrega uma observação real gera muito mais lembrança do que "ótimo post!".
  • Peça conselho, não vaga. Em vez de "você pode me indicar para uma vaga na sua empresa?", experimente algo como "estou terminando meu primeiro projeto em React e queria muito sua opinião sobre um ponto específico — você teria 15 minutos para uma conversa rápida?". Isso é mais genuíno, menos invasivo, e frequentemente leva à indicação de forma orgânica, sem você precisar pedir diretamente.
  • Participe antes de precisar. Não entre em uma comunidade só quando estiver buscando emprego. Quem já está presente há meses, ajudando outras pessoas e participando de discussões, tem uma rede muito mais forte no momento em que realmente precisa dela.
  • Agradeça e mantenha contato, mesmo depois de uma conversa que não gerou nenhuma vaga imediata. Relações de longo prazo rendem mais do que abordagens pontuais e transacionais.

Evite mensagens genéricas em massa do tipo "olá, estou buscando oportunidades na área, você pode me ajudar?" enviadas para dezenas de pessoas. Elas raramente geram resposta e podem até prejudicar sua imagem. Prefira poucas mensagens bem pensadas a muitas mensagens automáticas.

Para colocar em prática

Antes de seguir para o próximo capítulo, execute estas ações — elas formam a base de tudo que vem a seguir:

  • Reescreva seu currículo seguindo a estrutura sugerida, com o dashboard de finanças como projeto em destaque.
  • Atualize a headline e a seção "Sobre" do seu LinkedIn.
  • Fixe o link do seu projeto publicado e do seu GitHub na seção de destaques do LinkedIn.
  • Escreva e publique um post contando o que você aprendeu construindo o dashboard (use a estrutura problema → decisões técnicas → resultado).
  • Escreva, em um documento separado, 2 a 3 desafios técnicos reais que você resolveu no projeto — você vai reutilizá-los em entrevistas.
  • Entre em pelo menos uma comunidade de desenvolvedores (Discord, Slack ou similar) e apresente-se.

Com o currículo, o LinkedIn e a base de networking encaminhados, chegou a hora de entender onde essas vagas realmente estão e o que esperar quando uma empresa responder à sua candidatura — o assunto do próximo capítulo.